A intercessão de Cristo, o pacto da redenção e a nossa felicidade eterna

image from google

Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).

Eu fico impressionado com quão pouco paramos para meditar a respeito da maravilhosa verdade da continuidade da obra sacerdotal de Jesus Cristo, no céu, em nosso benefício. Durante o seu ministério terreno, como sacerdote, Jesus foi o sumo sacerdote perfeito, que ofereceu a si mesmo como sacrifício todo-suficiente para a nossa salvação. Após a sua ascensão, o Senhor continua a desempenhar o ofício sacerdotal, nas palavras do autor aos Hebreus, “vivendo sempre para interceder” por aqueles por quem entregou a sua vida como sacrifício agradável a Deus.

Em Hebreus 4.14-15, o autor diz: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”. Por volta de 1645 algumas pessoas chegavam até o puritano Thomas Goodwin e diziam: “Esse texto coloca um problema diante de nós. Ele diz que Cristo penetrou os céus. Ele está exaltado no lugar mais alto e distante. Como é possível que ainda lembre de nós?” A resposta de Goodwin era que esse texto também apresenta a solução, a resposta, pois esse que penetrou os céus se compadece de nossas fraquezas. Goodwin afirmava que essa passagem “por assim dizer, pega as nossas mãos e as coloca no peito de Cristo, e nos deixa sentir como o seu coração bate e suas afeições anseiam por nós” (The Heart of Christ. p. 48).

Assim, de acordo com Goodwin, as nossas fraquezas inspiram a compaixão de Cristo. E ao trabalhar a passagem, ele argumentou que o termo “fraquezas” envolve tanto o mal das aflições quanto o mal dos nossos pecados, pois Hebreus 5.2 diz que Jesus “é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram”. Assim, mesmo a nossa tolice e nossas escolhas pecaminosas despertam a compaixão do nosso meigo e doce Redentor.

Quando o autor aos Hebreus nos diz que Jesus, estando á destra do Pai, vive sempre para interceder pelos seus, precisamos compreender que essa intercessão tem como alvo as nossas fraquezas, o que envolve, as nossas dores e também os nossos pecados.

Muitas vezes entendemos errado o que significa a intercessão de Jesus. É como se ele se colocasse diante do Pai e começasse a argumentar, a nos defender, a tentar convencer um Pai indisposto que não deseja nos perdoar. Não! Jesus não argumenta com base em nosso esforço. Ele não tenta lembrar ao Pai que, mesmo ainda cometendo pecados, temos nos esforçado para fazer o que é correto (Rm 7.21). Como afirma Richard D. Phillips: “Jesus não precisa falar nada disso. Ele só precisa identificar você como um daqueles que pertencem a ele” (Reformed Expository Commentary: Hebrews. Posição 3168. Edição Kindle).

A intercessão de Jesus é feita a partir da sua obra em nosso benefício, não do nosso esforço. O apóstolo João nos dá um vislumbre dessa verdade: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1). O nosso advogado é o Justo. Sua intercessão em nosso benefício é feita com base na sua morte na cruz.

Tente imaginar o Filho apresentando ao Pai as marcas nas suas mãos, nos seus pés e no lado do seu corpo, e dizendo: “Foi por ele! Ele é meu!” Não há outra consequência senão perdão e desfrute prático do amor trinitário que é derramado em nossos corações.

Mas, como Jesus pode se dirigir ao Pai, dizendo: “Ele é meu!”?

João, em seu Evangelho, registrou a mais bela oração já feita, a oração sacerdotal do Senhor. E nessa oração, várias vezes Jesus afirma que lhe fomos dados pelo Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra […] É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (vv. 6,9). Além disso, no famoso cântico do Servo Sofredor, nós encontramos a seguinte declaração: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.11-12). Percebam: o Servo, o Senhor Jesus Cristo, como recompensa da sua obra perfeita, da sua obediência perfeita recebeu “muitos”.

A passagem acima e muitas outras nas Escrituras nos falam de um acordo prévio entre o Pai e o Filho, não de forma explícita, é verdade, mas, ainda assim, de forma muito clara. Quando fomos dados pelo Pai ao Filho? Quando foi que muitos foram prometidos pelo Pai ao seu Servo como a sua parte na obra da Redenção? Pense também nas várias passagens em que o Filho declara que veio tão somente para fazer a vontade daquele que o enviou (Jo 4.34; 5.30; 6.38,39).

Considere, por exemplo, Lucas 22.29: “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio”. As palavras de Jesus aos seus discípulos são uma espécie de testamento. Por duas vezes neste versículo Jesus usa um verbo cujo significado é “fazer um pacto”. Literalmente, o Senhor Jesus afirmou: “Assim como meu Pai me confiou, por meio de um pacto, um reino, eu o confio a vocês também por meio de um pacto”. O Filho fala de um Pacto feito entre ele e o Pai. Quando tal Pacto foi feito? Com toda certeza, Jesus está se referindo àquilo que na teologia é chamado de “Pacto da Redenção”, a aliança entre Pai e Filho, na qual todos os detalhes da nossa salvação são acertados. Nesse pacto o Pai, representando a Trindade, apresenta todas as exigências da lei e toda a penalidade que o Filho deveria assumir sobre si. Por sua vez, o Filho recebe as promessas em caso de obediência perfeita. Uma dessas promessas foi um povo, uma Noiva, um rebanho.

Pense nas implicações dessa verdade gloriosa!

Na eternidade passada teu nome foi pronunciado pelo Pai como fazendo parte daqueles que foram dados ao Filho. O Pai se dirige ao Filho, o fiador da Nova Aliança e diz algo como: “O Alan será teu”. Hoje, no tempo presente, teu nome continua a ser pronunciado pelo Filho em sua intercessão. O Filho se dirige ao Pai e diz: “O Alan é meu! Tu mo deste!”. E teu nome continuará a ser pronunciado no céu até à eternidade futura, pelos séculos dos séculos, como alguém que é amado pelo Filho, mas não apenas por ele, mas também pelo Pai e pelo Espírito Santo.

Nossos pecados são tratados completamente por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós e por nós intercede. Nossas aflições também são alvo da intercessão do Senhor. É por causa dele que temos recebido bênção sobre bênção. É por causa dos seus méritos que somos abençoados com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais (Ef 1.3).

De nenhum modo tais conceitos devem nos lançar à inércia na busca pelo crescimento na piedade. Muito pelo contrário, como expressão de nossa gratidão, não nos resta outra coisa a fazer senão lutar, pelo Espírito, para mortificarmos os feitos do corpo (Rm 8.13).

Somos fracos, é verdade. Mas, uma vez que ele é tudo aquilo de que necessitamos, podemos bradar com Richard Sibbes: “Somos fracos, mas somos dele” (The Bruised Reed. p. 62). Somos vacilantes, fracos, tímidos, mas pertencemos a ele; fomos comprados com o seu sangue precioso, puro, sem mácula. Por esta razão, aborreçamos toda dúvida, toda incerteza, todo pensamento que nos leve a imaginar que não há mais esperança, sejam quais forem os nossos problemas e pecados.

***
Autor: Rev. Alan Rennê
Fonte: Jovem Reformado
.

Amor e a desumanidade do casamento homossexual

image from google

Mais e mais comentaristas dizem que já passamos do ponto crítico em relação ao casamento homossexual nos Estados Unidos. Quase que diariamente um político ou uma celebridade encara um microfone e declaram seu apoio à causa. Parece que o paradigma mudou, que os valores estão invertidos.

Se o casamento homossexual é politicamente uma realidade indiscutível, eu não sei. O que me preocupa, atualmente, é a tentação entre os cristãos de seguirem a corrente. A premissa é de que a nação não compartilha mais de nossa mesma moralidade e nós não podemos impor nossa visão aos outros ou ultrapassar a linha que divide Estado e Igreja. Além do mais, nós não queremos que nenhuma política impertinente entre no nosso caminho de pregar o evangelho, certo? Então nós também devemos simplesmente engolir essa realidade. E dessa maneira, o pensamento continua.

Lições Bíblicas para Liderança na Igreja Local - Parte 1/2

image from google

Introdução

Muitos estudos têm sido empreendidos na área de liderança, na verdade há sempre uma necessidade de reavaliar tais posicionamentos sobre a questão da condução de qualquer obra, grupo, igreja, povo, tribo ou nação. A liderança é algo necessário e presente na cultura humana. A liderança não foi instituída por causa da Queda. Deus já havia instituído tal liderança a Adão e também a Eva. Eram eles subgerentes na criação. Deus havia lhes dado os mandatos da criação: espiritual, social e cultural¹.

Então temos de fato uma necessidade de refletir biblicamente sobre liderança. Sobre os princípios que a Bíblia ensina sobre liderança, a importância disso é muito grande, uma liderança sem princípios é como um navio sem bússola. Liderança sem o processo de experiência é como um navio sem o capitão. Liderança sem um padrão é como um navio sem porto seguro². Tal é a importância dos princípios bíblicos para a liderança, serão uma bússola, um capitão, um padrão, um porto seguro. Os princípios ditarão o que será a liderança e mostrarão os pressupostos da liderança exercida. Se o pressuposto não for a glória de Deus, o que teremos é uma liderança que glorifica a criatura em vez do Criador. Isso é relevante para entendermos o que disse o Dr. Shedd:

Os eventos, as pessoas e as circunstâncias afetam as atitudes e produzem reações que as pessoas desenvolvem desde o nascimento até a morte. Enquanto uma pessoa amadurece, ela aprende através da experiência e da reflexão. A leitura, o estudo e a discussão afetam o processo que transforma um jovem imprudente em um líder respeitado³.

Os princípios serão aprimorados pela experiência do líder, Paulo nos diz isso em várias de suas epístolas, “Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo”, (1 Timóteo 3.6); é um exemplo escriturístico. Então, como disse Shedd, a experiência e reflexão devem seguir os princípios bíblicos. Tudo na liderança deve girar em torno da sabedoria bíblica. A boa liderança bíblica é marcada pela integridade de caráter e sabedoria bíblica. Alguém pode até ser um bom líder e arrebanhar multidões sem ser bíblico e íntegro. Portanto, o que marca o líder cristão não é o sucesso diante dos homens, mas, sua fidelidade a Deus e sua Palavra. O que um líder cristão precisa ler? Ele pode ler bons livros sobre liderança, pode recorrer a palestras e a congressos, mas, diante da enxurrada de literatura sobre o assunto pautada na literatura secular empresarial, meu conselho é simples, o líder bíblico deve procurar sabedoria, então, leia Provérbios.

Deve ser piedoso, buscar sabedoria. Temos muitos líderes com muito conhecimento, mas pouca sabedoria. Fontes sem águas. A sabedoria bíblica é prática. O conhecimento de Deus deve permear a comunidade e redundar em prática, em vida. Devemos ensinar nosso povo a buscar conhecimento, mas, também devemos ensiná-los a amar a sabedoria, afinal, “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria”, (Pv 1.7), isso é tão básico que esquecemos tamanha riqueza.

Uma liderança bíblica destoa grandemente do tipo de liderança que temos visto em nosso tempo. Não podemos negar que uma grande onda de influência empresarial tem invadido, mudado o foco e distorcido o que dizem as Escrituras sobre uma liderança bíblica. Estratégias, planejamento, projeções, análises de dados tem sido as principais abordagens de muitos autores que escrevem nessa área, não apenas isso, muitos pastores têm tomado conselhos de uma abordagem puramente empresarial e não bíblica da liderança e isso causa consideráveis problemas a igreja. Neste artigo, iremos caminhar observando alguns líderes na Bíblia, extrairemos alguns exemplos nas narrativas que mencionam cada um deles. Necessário é sabermos que o foco não está, de fato, na vida deles, mas, como Deus operou através deles, usou e corrigiu muitos dos seus erros. A Bíblia é o maior manual de liderança já conhecido. Não há e não haverá outro livro que supere a Bíblia nos ensinamentos sobre liderança, nela temos as diretrizes eternas para o exercício da liderança espiritual.

A Igreja não funciona como uma empresa

Não queremos dizer com isso que a igreja não deve se preocupar com suas obrigações como registro de funcionários, pagamentos de contas como de água, luz, telefone e internet. Não queremos dizer com isso que uma igreja não possa ter trabalhos como creches ou escolas infantis, absolutamente não. Não queremos dizer que a igreja não deva valer-se de recursos vindos do mundo empresarial, porque se fizéssemos isso, estaríamos negando a graça comum. Quando dizemos que a igreja não funciona como uma empresa, dizermos que o rebanho do Senhor não pode ser visto como consumidores, funcionários, gerentes, supervisores (no sentido empresarial) e proprietários. A igreja é uma organização no sentido de que ela precisa estar organizada com fins a melhor testemunhar com evangelho de Cristo, mas, a igreja também é um organismo vivo. Então, é necessário cuidado com abordagens seculares a respeito da liderança, liderar na igreja não é a mesma coisa de chefiar um departamento numa empresa. A liderança espiritual está totalmente ligada a edificação da igreja para glória de Deus.

A Igreja não funciona como um clube

Muitos tem figurado a igreja como um clube ou agremiação. Uma associação de pessoas que estão ali para viverem juntas em com um objetivo terapêutico. Não devemos duvidar que a vida em comunidade na igreja também é terapêutico, pessoas solitárias, deprimidas, atribuladas, indecisas, assoladas por tragédias e sofrimentos que não temos como listar, estão na igreja e são atraídas para a igreja. Essas pessoas são, em grande medida, transformadas pelo evangelho e desfrutam na comunidade de fé de amizades saudáveis, relacionamentos que lhes fazem bem, companhia e cura de dores dos seus sofrimentos. É verdade que na igreja pessoas tristes encontram alegria de viver em comunidade, mas, isso não faz da igreja um clube. A igreja é a comunidade da Palavra, todos os benefícios que a igreja proporciona deve girar em torno da Palavra. Toda comunhão, alegria, solidariedade, compaixão, misericórdia, bondade, longanimidade e fé são frutos da Palavra e para a glória da graça que opera na santa igreja de Deus.

A Igreja como Comunidade Cristã

Segundo a confissão de fé congregacional, mais conhecida como Declaração de Savoy, sobre a igreja:

A igreja católica ou universal, a qual é invisível, consiste de todo o número dos eleitos que têm sido, são ou serão reunidos num só corpo, sob Cristo – sua Cabeça; ela é a Esposa, o corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as coisas⁴.

Isso é a igreja de Cristo, a reunião dos eleitos de Deus, que foram predestinados, chamados, justificados, santificados e que serão glorificados, para a glória única do Deus triúno. Nos diz ainda o Catecismo de Heidelberg, pergunta 55:


O que você crê sobre a comunhão dos santos?
Resposta: Primeiro, creio que todos os crentes, juntos e cada um em particular, como membros de Cristo, têm comunhão com Ele e participam de todos os Seus tesouros e dons. Segundo, creio que cada um têm o dever de usar seus dons com disposição e alegria para o benefício e o bem-estar dos outros membros.

Através dessa pergunta do catecismo podemos mensurar o que é a liderança bíblica: o exercício de dons para a edificação da igreja. Os dons de liderança que foram dados a igreja em todas as eras, mostram que a finalidade da existência de líderes é para o bem-estar  da comunidade de fé que é regida pela Palavra de Deus. Líderes bíblicos servem a Deus e o glorificam, cuidando da igreja seguindo os princípios bíblicos e não formulas empresariais ou publicitárias. A liderança cristã bíblica é cativa ao ensino bíblico e a busca da sabedoria bíblica. 


A Liderança Espiritual Bíblica

Aqui temos um princípio básico, a liderança espiritual é humilde e exemplo. Quando era menino ouvi muito um ditado proferido por cristãos imaturos dizendo “manda quem pode e obedece quem tem juízo”, há certa verdade nesse ditado, mas absolutamente ele não transmite o que a Bíblia diz sobre liderança cristã. Temos vários exemplos de liderança cristã nas Escrituras, vamos falar um pouco sobre cada uma delas. Nossos objetos de estudo serão as lideranças de Adão, Moisés, Davi e Josias.

A Liderança de Adão

Poderíamos tratar de vários personagens bíblicos que serviriam de estudo de caso para a liderança bíblica, mas, por questões de espaço selecionamos alguns. Nosso primeiro estudo será com base na liderança de Adão. Deus criou o homem e a mulher (Gn 1.26,27) a sua imagem e semelhança. Colocando-os como vice-gerentes na criação. Eles tinham que cuidar, gerir tudo aquilo que Deus tinha colocado em suas mãos. Nesse contexto, temos a liderança de Adão como o cabeça de sua esposa. Adão deveria governar o que Deus havia lhe dado como trabalho na criação e também sua mulher e seus filhos. Observamos na narrativa bíblica algo interessante, vejamos:

E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim, (Gênesis 3.8)

Podemos extrair algumas aplicações desse texto sagrado. Depois de pecarem, o homem e sua mulher, não mais eram atraídos pela voz do Senhor, mas, temeram juízo. A liderança de Adão foi destruída por causa do seu pecado, Adão agora perdera a comunhão com Deus; sem comunhão como poderia liderar justamente, como poderia exercer aquilo para que Deus o havia criado? Adão pecou, seu pecado comprometeu sua liderança. Uma liderança bíblica deve ser santa, uma vida que busca a piedade e afasta-se do pecado. O apóstolo Paulo disse que o presbítero deve ser irrepreensível, equilibrado, modesto e que tenha domínio próprio (1 Timóteo 3). Essas são algumas das características para um pastor, mas, devemos perceber que tais atribuições morais e espirituais não são restritas a pastores, mas a todo cristão. Mas, de fato, principalmente aqueles que lideram. Um líder intemperante, ímpio, sem equilíbrio não promoverá saúde aos seus liderados.


***
Continua em breve...
____________________
Notas:
[1] Para estudos mais profundos sobre esse assunto da liderança de Adão e Eva, as obras de Gerard Van Groningen são uma contribuição ímpar. Criação e Consumação, são três volumes publicados pela editora cultura cristã.
[2] SHEDD, Russell. O Líder que Deus Usa. Ed. Vida Nova, p. 25.
[3] Ibid, p. 24.
[4] Declaração de Savoy. Capítulo 26. 1. Ed. Aliança.

***
Autor: Rev. Thomas Magnum de Almeida
Divulgação: Bereianos
.

O que é a Pregação Expositiva?

image from google

O antigo puritano William Perkins, no segundo capítulo da sua obra clássica sobre pregação The Art of Prophesying, ofereceu a seguinte instrução aos pregadores: “A Palavra de Deus, exclusivamente, deve ser pregada, em sua perfeição e consistência intrínseca. A Escritura é o objeto exclusivo da pregação, o único campo onde o pregador deve trabalhar”.[1] Isso está intrinsecamente relacionado com a natureza da pregação expositiva.

De forma simples e até tautológica, John A. Broadus afirma que a pregação expositiva “ocupa-se principalmente da exposição das Escrituras”.[2] Tudo flui do texto: as suas divisões e a exploração dessas divisões, todo o conteúdo de pensamento. De acordo com ele, a principal característica de um sermão expositivo é a unidade no discurso: “A unidade no discurso é necessária à instrução, à convicção e à persuasão. Sem ela, o gosto dos ouvintes cultos não será satisfeito; mesmo os incultos, embora talvez não saibam por que, se sentirão bem menos profundamente impressionados”.[3] Isso é interessante, visto que há muita pregação versículo por versículo em nossos dias, mas que nada mais é do uma série de observações desarticuladas e desconexas sobre versículos sucessivos. 

O grande problema com a obra de Broadus é aquilo que pode ser percebido no ideário da vasta maioria dos evangélicos e até mesmo de muitos protestantes, a saber, que pregação expositiva é apenas um estilo de pregação, apenas um tipo de sermão classificado de acordo com a sua estrutura homilética. Antigamente, mesmo nossos seminários e institutos bíblicos trabalhavam a prática da pregação da seguinte forma: Primeiro, você prega um sermão tópico. Segundo, um sermão textual. Terceiro, um sermão expositivo. Scholars e professores chegam a recomendar uma variação de estruturas homiléticas em seus sermões, com vistas a “alcançar variedade no método sermonário [...] Essa variedade será aceitável e agradável à congregação atenta”.[4]

Interessa-me, particularmente, a definição de pregação expositiva que Albert Mohler apresenta:

A pregação expositiva é aquele tipo de pregação cristã que tem como seu propósito central a apresentação e a aplicação do texto da Bíblia. Todos os outros assuntos e interesses são subordinados à tarefa central de apresentar o texto bíblico. Como Palavra de Deus, o texto das Escrituras tem o direito de estabelecer tanto o conteúdo como a estrutura do sermão. A exposição autêntica acontece quando o pregador apresenta o significado e a mensagem do texto bíblico e mostra com clareza como a Palavra de Deus estabelece a identidade e a cosmovisão da igreja como o povo de Deus.[5]

Nisso reside a principal diferença entre a pregação expositiva e os outros tipos de pregação. Enquanto a pregação temática parte de um tópico em direção a textos bíblicos, e a pregação textual faça uso de uma passagem particular sem, contudo, examinar o intento original daquela passagem, a pregação expositiva “está, portanto, inescapavelmente ligada à obra de exegese séria. Se o pregador tem de explicar o texto, ele deve estudá-lo e dedicar horas de estudo e pesquisa necessárias ao entendimento do texto”.[6] Michael Houdmann afirma que, “tanto no sermão temático como no textual, a passagem da Bíblia é usada como material de apoio para o tema. Em sermões expositivos, a passagem da Bíblia é o tema, e materiais de apoio são usados para explicá-la e esclarecê-la”.[7]


Alguns eruditos, como Sidney Greidanus e John Stott, discordam da diferença estabelecida entre pregação expositiva e pregação textual, afirmando que esta distinção nada mais é do que um ato de confusão. A distinção alvo das críticas é aquela que diz que o sermão expositivo brota de uma passagem da Bíblia mais extensa do que dois ou três versículos, que é uma explicação versículo por versículo de uma passagem escolhida, dentre outras afirmações. Greidanus afirma que pregar expositivamente é “manusear o texto ‘de tal forma que seu significado essencial e real seja manifestado e aplicado às necessidades atuais dos ouvintes, como ele existe na mente do escritor bíblico em particular e como ele existe à luz de todo o contexto da Escritura’”.[8]

John Stott afirma:

Se ele [o texto] é longo ou curto, nossa responsabilidade como expositores é esclarecê-lo de tal forma que ele fale sua mensagem de forma clara, aberta, correta, relevante, sem adição, subtração ou falsificação. Na pregação expositiva o texto bíblico não é nem uma introdução convencional para um sermão num tema totalmente diferente, nem um pretexto conveniente sobre o qual projeta-se uma mistura de pensamentos heterogêneos, mas um mestre que dita e controla o que é dito.[9]

Mesmo Karl Barth disse acertadamente que, “se o pregador se dá por tarefa expor uma ideia sob uma forma qualquer – mesmo se esta ideia resulta de uma exegese séria e adequada – então não é a Escritura que fala, mas fala-se sobre ela. Para ser positivo, a pregação deve ser uma explicação da Escritura”.[10]


O fundamento bíblico de tudo o que foi dito pode ser percebido em Neemias 8:

1 Em chegando o sétimo mês, e estando os filhos de Israel nas suas cidades, todo o povo se ajuntou como um só homem, na praça, diante da Porta das Águas; e disseram a Esdras, o escriba, que trouxesse o Livro da Lei de Moisés, que o SENHOR tinha prescrito a Israel. 2 Esdras, o sacerdote, trouxe a Lei perante a congregação, tanto de homens como de mulheres e de todos os que eram capazes de entender o que ouviam. Era o primeiro dia do sétimo mês. 3 E leu no livro, diante da praça, que está fronteira à Porta das Águas, desde a alva até ao meio-dia, perante homens e mulheres e os que podiam entender; e todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei. 4 Esdras, o escriba, estava num púlpito de madeira, que fizeram para aquele fim; estavam em pé junto a ele, à sua direita, Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaséias; e à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão. 5 Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque estava acima dele; abrindo-o ele, todo o povo se pôs em pé. 6 Esdras bendisse ao SENHOR, o grande Deus; e todo o povo respondeu: Amém! Amém! E, levantando as mãos; inclinaram-se e adoraram o SENHOR, com o rosto em terra. 7 E Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaséias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas ensinavam o povo na Lei; e o povo estava no seu lugar. 8 Leram no livro, na Lei de Deus, claramente, dando explicações, de maneira que entendessem o que se lia.

O texto foi lido e o texto foi exposto, explicado e aplicado às vidas do povo de Israel. Isto posto, fica claro que os seguintes elementos mínimos identificam uma pregação expositiva[11]:

  1. A mensagem encontra a sua única fonte na Escritura.
  2. A mensagem é extraída da Escritura a partir de cuidadosa exegese.
  3. A preparação da mensagem interpreta corretamente a Escritura em seu sentido normal e em seu contexto.
  4. A mensagem claramente explica o significado original da mensagem de Deus na Escritura.
  5. A mensagem aplica o significado da Escritura para os dias de hoje.

_______________________

Notas:
[1] William Perkins. The Art of Prophesying. Acessado em 11/10/2012.  http://www.monergism.com/thethreshold/sdg/perkins_prophesying.html >.
[2] John A. Broadus. Sobre a Preparação e a Entrega de Sermões. São Paulo: Hagnos, 2009. p. 65.
[3] Ibid. p. 67.
[4] Ibid.
[5] R. Albert Mohler, Jr. Deus Não Está em Silêncio: pregando em um mundo pós-moderno. São José dos Campos: Fiel, 2011. p. 75.
[6] Ibid. p. 76.
[7] Michal Houdmann. What Is Expository Preaching? Acessado em 12/10/2012. <http://www.gotquestions.org/expository-preaching.html>.
[8] Sidney Greidanus. O Pregador Contemporâneo e o Texto Antigo. São Paulo: Cultura Cristã, 2006. p. 26.
[9] John R. W. Stott. Between Two Worlds: the art of preaching in the Twentieth Century. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1982. p. 126.
[10] Karl Barth. A Proclamação do Evangelho. Brasília: Monergismo, 2007. pp. 7-8. Acessado em 12/10/2012. <http://monergismo.com/wp-content/uploads/proclamacao_evangelho_barth.pdf>.
[11] Richard L. Mayhue. “Rediscovering Expository Preaching”. In: John MacArthur (Org.). Recovering Expository Preaching. Nashville, TN: Thomas Nelson, 1992. pp. 12-13.

***
Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Electus
.

Refutação das objeções contra a guarda do domingo

image from google

Mesmo antes da Queda, Deus instituiu o descanso semanal (Gênesis 2.1-4). O sétimo dia foi observado pelo povo do Senhor mesmo antes do Sinai (Êxodo 16.23), foi incluído entre os preceitos do Decálogo como um lembrete da Criação (Êxodo 20.8-11) e da Redenção (Deuteronômio 5.12-15). O quarto mandamento foi exposto pelos profetas como um dia de descanso (Isaías 58.13-14) e o povo, após o exílio, comprometeu-se pactualmente em observá-lo (Neemias 13.15-22). 

Série Credo Apostólico - Parte 10: A Esperança no Porvir

image from google

INTRODUÇÃO

Creio... na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém”.

O Cristianismo professa um credo enraizado na vida após a morte. E esta vida tem dois destinos: comunhão com o Deus triuno ou exclusão de sua presença. Trocando em miúdos, salvação e condenação eterna são as duas realidades possíveis, de forma que há um abismo intransponível entre os dois.

Na parábola contada por Jesus sobre O Rico e Lázaro (Lc 16. 19-31), fica claro que não há nenhum tipo de passagem do inferno para o paraíso. Os destinos estão definidos e o ensino de que é possível mudar sua condição eterna é uma mentira, pois, não encontra nenhuma base bíblica. Assim sendo, crenças como a reencarnação, ensinada pelo Espiritismo, devem ser rejeitadas, assim como a crença da Igreja Católica Romana no purgatório - local de penitência para alguns que podem chegar ao céu após um período expurgando seus pecados. Há também um ensino que permeia os círculos da teologia liberal que se chama “universalismo” (Também faz parte do corpo doutrinário do catolicismo romano). Este ensino diz que no fim, toda a humanidade será salva. Mas será isso mesmo o que a Escritura diz? A resposta é um sonoro não. Do Antigo ao Novo Testamento vemos a dualidade que divide a raça humana em salvos e não salvos. E como disse o saudoso pastor Russell Shedd:

Sem nascer de novo não há esperança de ver o Reino de Deus. Achar que o amor de Deus é tão extenso que ninguém pode cair fora dele, é uma crença muito conveniente para os que rejeitam o teor de todo o ensino da Bíblia. Não convém se arriscar em tão fraca esperança”.

Se todos conhecem bem João 3.16, a sequência não é tanto conhecida, ou pelo menos, não tão recitada: “
Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus”. - João 3:17,18

A realidade bíblica pode não ser tão doce como gostaríamos, mas a verdade consiste no que o texto diz, e florear o texto é macular as palavras que são divinas, em outras palavras, é se colocar no lugar de Deus, ou até mesmo, uma tentativa pretenciosa de co-escrever o que Deus já decretou. Mas, passemos para a palavra de esperança que o Credo trás para a Igreja de Cristo, pois n’Ele temos a esperança de vida plena, e para entendermos esta plenitude, é preciso atentar para a doutrina da ressurreição corpórea.

UMA REMISSÃO COMPLETA

Vimos no texto anterior que Cristo nos redime e é por causa de sua obra redentora que temos acesso ao Reino dos Céus. Não conquistamos a salvação por nossos méritos, mas pela graça (Ef 2.8). E esta obra da graça, executada pela Trindade no espaço e no tempo é uma obra completa. Somos redimidos por inteiros e isso incluirá também os nossos corpos. O Catecismo de Heidelberg trata dessa questão como sendo um consolo:

Meu consolo é que depois desta vida minha alma será imediatamente elevada para Cristo, seu Cabeça. E que também esta minha carne, ressuscitada pelo poder de Cristo, será unida novamente à minha alma e se tornará semelhante ao corpo glorioso de Cristo”.

Há diversos textos que abordam a questão do nosso corpo ressurreto (Jó 19:25-27; 1Co 15:53,54; Fp 3:21; 1Jo 3:2), o espanto de muitos a respeito deste assunto atesta que há pouca leitura bíblica em boa parte dos arraiais evangélicos. A melhor maneira de reverter este déficit doutrinário é ensinar, ensinar e ensinar, demonstrando claramente que as Escrituras tratam deste assunto de maneira clara. Além do mais, a crença de que a carne é inerentemente má, é uma heresia antiga, combatida pelos apóstolos, sobretudo Paulo, em suas epístolas. Devemos lembrar que Cristo veio a este mundo em carne e subiu aos céus corporalmente, todavia, sem ter nenhuma relação com o pecado. Sempre que recorremos aos documentos confessionais, como os credos e confissões, temos um ótimo portifólio para aprendermos corretamente, por isso, o
Catecismo Maior de Westminster (CMW) é recomendado para um bom entendimento acerca da ressurreição. Vejamos o que ele diz em resposta à pergunta 87:

Devemos crer que no último dia haverá uma ressurreição geral dos mortos, dos justos e dos injustos; então os que se acharem vivos serão mudados em um momento, e os mesmos corpos dos mortos, que têm jazido na sepultura, estando então novamente unidos às suas almas para sempre, serão ressuscitados pelo poder de Cristo. Os corpos dos justos, pelo Espírito e em virtude da ressurreição de Cristo, como cabeça deles, serão ressuscitados em poder, espirituais e incorruptíveis, e feitos semelhantes ao corpo glorioso dEle; e os corpos dos ímpios serão por Ele ressuscitados para vergonha, como por um juiz ofendido”.

Esta resposta do CMW resume de maneira esplendida todo o conteúdo bíblico como se dará esta ressurreição futura. E ela também apresenta aquilo que de fato é uma mensagem de esperança para a Igreja de Cristo. Atente: “Os corpos dos justos, pelo Espírito e em virtude da ressurreição de Cristo, como cabeça deles, serão ressuscitados em poder, espirituais e incorruptíveis, e feitos semelhantes ao corpo glorioso dEle”.

Não fazemos ideia de como será este corpo glorificado, mas podemos exultar no fato de que os efeitos do pecado desaparecerão e nossas limitações derivadas do pecado não vão mais existir. Isso nos dá uma gama de possibilidades, todavia, é apenas na glória que experimentaremos o que de fato será este corpo renovado por completo.

PLENITUDE DE VIDA

A vida eterna muitas vezes é assimilada apenas no quesito de ser um período de tempo que não finda. E de fato, a eternidade é a ausência do tempo cronológico. Mas, se não focarmos na qualidade deste “tempo sem tempo”, perderemos a noção da maravilha que será viver para sempre com Cristo e com todos os remidos no Céu de Glória. A obra do Triuno Deus em redimir os pecadores, que estavam em estado decaído desde o pecado de Adão, possibilitou que os seus santos obtivessem, por meio de Cristo, as condições necessárias para gozar do paraíso que fora perdido quando o pecado entrou no mundo.

Quando o primeiro casal caiu do estado de graça, Deus os expulsou do Éden para que não comecem da árvore da vida naquelas condições, tendo a imagem divina desfigurada dentro de si (Gn 3.22-24). Usando uma frase de Aslam, personagem criado por C.S. Lewis nas famosas Crônicas de Nárnia: “a eternidade com um coração mau é a perpetuidade da desgraça”.

O desdobramento da História foi a execução da redenção que a Trindade já tinha firmado na eternidade, com Cristo assumindo o papel de fiador de uma aliança que nos reconciliaria com o Divino. A linearidade da história tem seu clímax na cruz, embora seu desfecho seja o dia da segunda vinda de Jesus. E então, os que são o seu rebanho, ao serem reunidos com seu Pastor supremo, poderão gozar de todas as benesses do Paraíso, incluindo, desfrutar do delicioso fruto da árvore da vida (Ap 2.2).

Louvado seja Cristo por nos conceder tamanha benção! Novamente recorrendo ao Catecismo de Heidelberg, vemos que esta promessa nos consola, nos enchendo de esperança e alegria indescritível:

Meu consolo é que, como já percebo no meu coração o início da alegria eterna, depois desta vida terei a salvação perfeita. Esta salvação nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido ouviu e jamais surgiu no coração de alguém. Então louvarei a Deus eternamente”.

Vejamos a beleza nesta obra encabeçada por Cristo. A vida eterna é uma realidade do provir, todavia, podemos sentir nuances desta vida, pois temos o selo da promessa que é o Espírito Santo. Não devemos perder a perspectiva na vida eterna. A Confissão Belga nos exorta: “Por isso, esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente das promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor”.

CONCLUSÃO

O Credo termina com “Amém”. Esta palavra de origem hebraica, usada no fim de nossas orações é um termo de assentimento, indicando que aquilo que foi dito anteriormente é tido por verdadeiro, gerando concordância, derivada da firmeza do que se disse

O “amém” faz do Credo uma oração, nos lembrando que temos o dever de exercitar a nossa vida piedosa com base nestes postulados centrais da fé. A crença que praticamos em nosso dia a dia precisa de uma base doutrinária. Logo, o Credo nos dá a base necessária para fazermos de nossas vidas uma caminhada de oração, nos colocando na dependência de nosso SENHOR. Buscando louvar a beleza de Sua majestade ainda nesta era, confiantes de que no porvir, continuaremos o louvor, todavia, o veremos face a face, sentado em seu trono de graça. Aquilo que em parte conhecemos, será revelado de maneira plena.

E diante de tamanha glória, talvez, expressaremos algo semelhante ao que Jó falou diante do Soberano:

"Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Tu perguntaste: ‘Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento? ’ Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Tu disseste: ‘Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá’. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram”. Jó 42:2-5

Soli Deo Gloria

***
Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos

Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 7: O Espírito Santo em Ação
Série Credo Apostólico - Parte 8: A Santa Igreja Universal 
Série Credo Apostólico - Parte 9: A Remissão dos Pecados

O uso da apologética numa perspectiva reformada

image from google

O presente artigo trata da necessidade de se usar de argumentos apologéticos de uma perspectiva reformada na apresentação da fé cristã. Após cinco séculos do movimento reformacional, percebe-se hoje em dia a necessidade de se partir dos pontos da ortodoxia bíblica para o diálogo com a cultura. A apologética pode servir para que a Igreja continue se reformando e possa reformar sua sociedade.

No ano que marca 500 anos de Reforma Protestante, é salutar a reflexão sobre esse movimento que mudou o curso da história mundial. Considerando que muito já foi escrito sobre esse momento da história, este artigo busca defender a natureza da Reforma como sendo apologética, em defesa da fé cristã esposada na Bíblia, e sua contribuição para a reflexão atual por parte dos cristãos que dialogam com a cultura.

É notável que as Escrituras Sagradas podem alcançar homens e mulheres, e transformar toda uma sociedade. Por isso, nesses tempos, marcados por crises institucionais e eclesiásticas, o resgate do Evangelho e a reflexão sobre o mesmo podem contribuir para a teoria e ação cristã.

A Reforma Protestante foi um movimento de defesa da fé cristã, seus princípios e sua cosmovisão bíblica, de modo a oferecer aos crentes em Cristo um caminho interpretativo reformado e relevante para uma constante busca de se reformar, como cristão individual e como Igreja local, assim como transformar a cultura que esses estão inseridos.

A Reforma Protestante: um movimento apologético

Os séculos anteriores ao XVI foram tempos, minimamente, instáveis. Doenças, a exemplo da Peste Negra, instabilidade política e social, radicais mudanças nas concepções filosóficas, crises de governabilidade pela Europa, e desencontro religioso.

Nessa última esfera, emergiram algumas tentativas de Reforma interna à Igreja Católica: John Hus e John Wycliffe, por exemplo, tornaram-se proponentes de mudanças radicais. Além disso, como explica George (1993, p. 26), “essa sensação de mal-estar, essa expressão de que o tempo estava fora dos eixos, aliada à crescente onda das expectativas religiosas, produziu uma época de excepcional ansiedade”. De modo ilustrativo, as obras de arte da época refletiam o anseio do povo.

Para além disso, havia o movimento escolástico que buscava uma síntese intelectual entre o pensamento aristotélico e o ensino bíblico, o que gerava interpretações mais filosóficas do que escriturísticas. George (1993) ainda aponta a presença de interpretações estritamente místicas da Bíblia, assim como, humanísticas.

Diante desse quadro, o pensamento dos reformadores protestantes tinha uma natureza de uma crítica externa à instituição Católica Romana e às sínteses filosóficas seculares com a Bíblia, ou seja, tais teólogos, entendendo a doutrina das Escrituras à parte da pregação eclesiástica institucionalizada e ouvindo à ansiedade do povo, apontaram incoerências presentes nos discursos dos domínios filosóficos e romano-religioso.

Com isso, a natureza da Reforma Protestante foi apologética. Buscou defender a doutrina das Escrituras a partir de um método crítico-gramatical que interpreta a Bíblia pela Bíblia, pressupondo um ensino todo e coerente. Em sua essência, esse movimento reformacional defendia a verdadeira fé e a tradição escriturística, constituindo-se, segundo George (1993, p. 34), como “uma continuação da busca pela igreja verdadeira que havia começado muito antes que Lutero, Calvino ou os padres de Trento entrassem na lista”.

A importância e a necessidade de uma apologética reformada

Segundo McGrath (2013, p. 13), o termo apologia “se refere a uma ‘defesa’, um arrazoado que prova a inocência de um acusado no tribunal, bem como a demonstração de que uma crença ou argumento é correto”. Nesse sentido, na teologia cristã, a apologética busca apresentar uma explicação razoável e racional para as verdades cristãs.

Nas palavras de McGrath (2013, p. 9), “a apologética tem por objetivo converter crentes em pensadores e pensadores em crentes”. Nesse sentido, o mesmo autor elucida que o exercício apologético abrange: o conhecimento das doutrinas e cosmovisão bíblica, e a transmissão eficaz desse saber.

Com efeito, é importante que o cristão aprenda a defender sua fé para demonstrar a amplitude e a profundidade intelectual, moral, imaginativa e relacional de sua crença para os fiéis de dentro da Igreja, e para os incrédulos de dentro dela e de fora. Ajuda, com isso, como coloca Craig (2012, p. 17), a “criar e manter um ambiente cultural em que o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável”.

Uma salutar observação a ser feita é que “o Evangelho só deve causar dificuldades por sua natureza e conteúdo intrínseco, não pela maneira em que é anunciado” (MCGRATH, 2013, p. 14). Isso quer dizer que a reflexão e exercício apologético deve ser feito de modo respeitoso, paciente, generoso, inteligente e simpático (I Pe 3:15-16), a fim de evidenciar o conteúdo da mensagem cristã, e não a suposta superioridade do cristão que debate.

A maior dificuldade nesse sentido, por vezes, é a correta tomada de um ponto de partida relevante e bíblico. Para tanto, a tradição reformada contribui no estabelecimento de uma reflexão e cosmovisão que busca coordenar uma fiel exegese bíblica em diálogo com a cultura a seu redor, ressaltando pontos positivos e contraditando os negativos.

Nessa esteira, a apologética reformada busca questionar ideias falsas sobre o Evangelho e a realidade, e apontar para a Revelação das Escrituras como uma via razoável e digna de confiança, sempre consciente de que os argumentos não podem converter, mas podem preparar um ambiente para a pregação do Evangelho.

Desse modo, a tradição reformada pode servir como um Organon, conjunto de ferramentas de interpretação e reflexão lógico-filosófica, para que o cristão extraia da Bíblia princípios, regras, aplicações para o debate que se apresente. Ou seja, o resgate de doutrinas bíblicas feito pelos reformadores são o fundamento a ser defendido por meio da argumentação lógico-racional.

A necessidade de uma Reforma permanentemente apologética

A Reforma Protestante do século XVI possui um significado permanente para a Igreja de Cristo. “Ela desafia a igreja a ouvir reverente e obedientemente aquilo que Deus disse de uma vez por todas (Deus dixit) e de uma vez por todas fez em Jesus Cristo” (GEORGE, 1993, p. 307).

Nesse caminho, a Igreja deve sempre estar se reformando, já que, composta por pecadores, nunca ficará perfeita até a volta de Cristo. Essa noção é estritamente apologética, no sentido de estar sempre voltando às Escrituras, defendendo-a e se desprendendo das ideias e práticas que lhe ameaçam constantemente.

Ideologias, filosofias seculares, Estadolatria, engenharia social, esfacelamento da linguagem, relativização dos valores, secularismo, ingerência estatal nos assuntos eclesiásticos, ceticismo, teologias liberais são algumas das principais ameaças contra a Igreja hodierna. Contra tais investidas, os cristãos, a exemplo dos Reformadores, devem refletir e sempre voltar: à Bíblia como a revelação fidedigna de Deus ao homem, aos atributos de Deus e a sua imanência na história, à doutrina da criação do homem e de sua queda, à obra, à morte e à ressurreição de Cristo, ao papel e chamado da Igreja, e à esperança de um novo céu e nova terra.

A Reforma permanente deve ser sempre apologética, defendendo a fé e apresentando-a como mais razoável que as propostas seculares. A dizer, os temas principais e basilares do movimento reformacional devem sempre ser preservados, defendidos, ensinados e pregados na Igreja e fora dela.

A atual crise, em várias esferas sociais, vivenciada nos dias de hoje cristaliza o anseio por novas mudanças. Após 500 anos de Reforma, é preciso que se note a necessidade de se reformar de modo razoável e bíblico, oferecendo respostas aos anseios do povo de Deus que sofre nesse mundo, e a uma sociedade que não tem identidade. “Ecclesia reformata semper reformanda”: “Igreja reformada, sempre se reformando”, e reformando ao seu redor.

____________________
Referências bibliográficas
CRAIG, William Lane. Apologética contemporânea: a veracidade da fé cristã. – 2. Ed. – São Paulo: Vida Nova, 2012.
GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993.
MCGRATH, Alister. Apologética pura e simples: como levar os que buscam e os que duvidam a encontrar a fé. São Paulo: Vida Nova, 2013.

***
Sobre o autor: Anderson Barbosa Paz é seminarista do Seminário Teológico Betel Brasileiro. Bacharelando em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Congrega na Igreja Presbiteriana do Bairro dos Estados em João Pessoa-PB. Atua na área de Apologética Cristã, debatendo e ensinando.
Divulgação: Bereianos
.